Vítimas relatam assédio, importunação sexual e até estupro durante consultas; delegada da DDM de Garça detalha depoimentos e afirma colaboração com a polícia de Marília para apurar o modus operandi do investigado.
O caso envolvendo um médico psiquiatra que atendia em Marília e no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Garça ganhou novas e graves proporções. Subiu para 13 o número de mulheres que relataram à polícia terem sido vítimas de crimes sexuais praticados pelo profissional. As investigações, que começaram em Marília – onde há um registro de estupro –, se estenderam para Garça, onde a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) já registrou quatro boletins de ocorrência.
De acordo com a delegada Renata Ono, titular da DDM de Garça, os relatos das vítimas pintam um quadro de condutas inapropriadas e abusivas durante atendimentos psiquiátricos. “Estaremos trabalhando em colaboração com a DDM de Marília, especialmente para estabelecer o modus operandi do investigado”, afirmou a delegada, destacando a troca de informações entre as cidades para entender o padrão de ação do médico.
Os quatro boletins de Garça
As investigações na cidade de Garça avançam com base nos depoimentos de quatro vítimas que formalizaram suas denúncias. Os casos envolvem acusações de importunação sexual e abuso, com relatos que vão desde perguntas íntimas inadequadas até agressões físicas.
1. O caso da paciente de 41 anos: abuso e agravamento da saúde
Conforme detalhou a delegada Renata Ono, a paciente “relatou que, após anos de acompanhamento, o médico passou a fazer perguntas de cunho íntimo, alegando que eram necessárias por conta da medicação”. Segundo o depoimento, o caso se agravou no final de 2024, quando “o investigado teria feito elogios inapropriados, segurado a paciente contra a mesa, tentado beijá-la, passado a mão sob sua saia e mexido em seu cinto”. A delegada acrescentou que, “mesmo após repelir o agressor, a paciente afirma que ele voltou a fazer comentários de cunho sexual em atendimentos posteriores”. A vítima relatou que o impacto foi severo segundo relatos da vítima: “Após os episódios, houve agravamento do quadro emocional da paciente, que continuou o tratamento por dependência das receitas médicas”.
2. O caso da adolescente de 17 anos, que atualmente está com 24 anos
Este boletim envolve um episódio ocorrido em 2018. A delegada Renata Ono explicou que a jovem, na época com 17 anos, estava desacompanhada em uma consulta quando foi “questionada se tinha namorado e, ao final do atendimento, o médico a puxou pelo braço e beijou o canto de sua boca”. Sobre a demora na denúncia, a autoridade policial afirmou: “O fato foi relatado à mãe na época, mas não houve denúncia imediata por falta de entendimento sobre a gravidade da situação”. A vítima ainda retornou ao consultório, mas “após novo contato com o médico, em que ele se mostrou incomodado com a presença de um acompanhante, a paciente não retornou mais ao tratamento”.
3. O caso da paciente de 65 anos: construção de intimidade
Um boletins mais recentes veio de uma mulher de 65 anos. Ela contou à polícia que, durante atendimentos em 2018, “o profissional passou a ter comportamentos inapropriados, com abraços e gestos de intimidade, que a deixaram constrangida”. A delegada Renata Ono detalhou que o boletim da senhora relata que o ápice da conduta foi quando: “Disse que em uma das vezes ele a segurou contra seu corpo, inalando seu perfume e encostando a boca em seu pescoço”.
4. O caso da paciente de 43 anos: beijo forçado e trauma
A quarta vítima a registrar boletim em Garça é uma mulher de 43 anos, ela “afirmou ter sido beijada à força pelo mesmo profissional durante uma consulta realizada no fim de 2022”. De acordo com o depoimento colhido pela delegacia, “a vítima relatou ter ficado em estado de choque e interrompido parte do acompanhamento médico após o episódio”.
A Polícia Civil reforça o apelo para que qualquer pessoa que tenha sofrido ou testemunhado condutas semelhantes procure a Delegacia de Defesa da Mulher mais próxima. As denúncias são essenciais para fortalecer o coro das vítimas que já tiveram coragem de falar e para encorajar outras a quebrarem o silêncio.
O profissional, que foi demitido pela AHBB, responsável pelo CAPS de Garça, é tratado como suspeito e está sob investigação pela polícia civil de ambos os municípios.









