Diário de Garça

Notícias de Garça e região, novidades culturais e cursos gratuitos.

Psiquiatra é preso preventivamente em Marília sob acusação de crimes sexuais contra pacientes

Rafael Pascon dos Santos, de 42 anos, responde a mais de 20 denúncias de importunação sexual e dois casos de estupro. Delegada destaca perfil dos crimes e espera que prisão incentive novas vítimas a buscarem a Justiça.

O psiquiatra Rafael Pascon dos Santos, de 42 anos, cumpriu na tarde desta quarta-feira, 22 de outubro, em Marília, a prisão preventiva decretada pela Justiça. Alvo de uma investigação que apura uma série de crimes sexuais contra pacientes em consultórios particulares e serviços públicos de Marília, Garça, Getulina e Lins. A ação foi deflagrada pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Marília, que acumula relatos de mais de 20 vítimas espalhados por quatro cidades.

Conforme a delegada titular da DDM Marília, Dra. Darlene Rocha Tosin, a prisão preventiva foi necessária para garantir a segurança das vítimas e a elucidação dos crimes. “O maior motivo da prisão preventiva neste momento é as vítimas terem mais segurança em procura da delegacia. Elas estavam fragilizadas e com medo da presença do médico”, explicou a delegada em coletiva. Ela acrescentou que a medida também visa “impedir a subtração de provas e a coação de testemunhas que ainda precisam ser ouvidas”.

Inicialmente, as equipes policiais realizaram buscas na residência e no consultório do médico, que não foi localizado. Horas depois, ele se apresentou espontaneamente na delegacia, acompanhado de seus advogados. O psiquiatra foi encaminhado para a Penitenciária P2, em Gália, e não será ouvido nesta quarta-feira. Sua intimação para prestar exclarecimentos será realizada por videoconferência no sistema prisional nos próximos dias.

Padrão de conduta

As investigações revelam um padrão na conduta do médico. De acordo com a delegada Darlene Tosin, “durante a consulta, o médico fazia menções de cunho sexual, fora do contexto e já deixa as vítimas constrangidas. Muitas delas, ao final da consulta, relataram um abraço ‘mais forte e acalorado’ do médico, tentativa de beijos e até beijos na boca”. Nenhuma das pacientes de Marília que sofreram a abordagem retornou para uma segunda consulta.

Os depoimentos colhidos na DDM são marcados por relatos chocantes. “Há relatos chocantes e muitas vítimas passaram mal durante depoimentos. Por isso, ouvimos as vítimas com cautela e no tempo delas”, disse a delegada. Uma das vítimas descreveu o momento do abuso: “No momento em que a gente se dirigia para porta foi quando ele me abraçou e me deu um beijo na boca, mas eu virei o rosto e ele ficou beijando o meu pescoço dizendo que eu era cheirosa. Eu fiquei sem reação… Eu estava indignada com aquilo”.

Esperança por novas denúncias

A autoridade policial acredita que a prisão do médico encorajará outras vítimas a procurarem a delegacia. “Eu acredito que com a prisão dele, mais vítimas comparecerão à delegacia, até porque elas vão ver que a justiça funciona e que vale a pena falar, sim”, afirmou a delegada. Ela destacou que havia uma preocupação anterior entre as vítimas: “Elas achavam que vindo aqui e não tendo a prisão dele, não tendo uma resposta do Estado, é ser em vão. E agora o Estado deu a resposta”.

Classificando o caso como “um dos casos mais sérios que nós temos nessa questão de serial, aqui na região de Marília”, a delegada fez um alerta às mulheres. “Sim, eu sempre falo, não se cale. Ao primeiro indício de qualquer situação de um assédio, de uma importunação, denuncie. Não espere, não espere nada. Vem e denuncie. A sua palavra tem valor sim. Principalmente nesse tipo de casos, a mulher tem que denunciar porque a palavra já é uma prova”.

Rafael Pascon dos Santos responde, até o momento, por mais de 20 casos de importunação sexual e dois casos de estupro. Os crimes de importunação sexual têm pena prevista de 1 a 5 anos de reclusão. A defesa do psiquiatra emitiu nota manifestando “profunda perplexidade” com a decretação da prisão preventiva, considerando-a “medida extrema e absolutamente desnecessária”, e afirmou confiar na libertação do cliente. O inquérito policial tem um prazo de 30 dias para ser concluído.

Descubra mais sobre Diário de Garça

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Descubra mais sobre Diário de Garça

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading