Filme de escuta registra a vida e a perda no Conjunto Habitacional Paulo Lúcio Nogueira, convidando a cidade a refletir sobre direito à moradia e o que resta quando a casa some.
Em um cenário de ruínas, portas arrancadas e paredes pichadas, ecoam vozes que tecem a história real de um lugar. Este é o ponto de partida de “Memória de Moradia”, documentário que será exibido no próximo sábado, 6 de dezembro, às 20h, no Clube de Cinema de Marília. O filme se propõe a ser mais do que um registro: é um ato de escuta e um arquivo vivo das centenas de famílias desalojadas do Conjunto Habitacional “Paulo Lúcio Nogueira” (CDHU) em 2024, por decisão judicial.
A obra surge em um momento importante, alimentando o debate local sobre direito à moradia, políticas públicas de habitação e os complexos processos de reparação. Ao dar voz aos ex-moradores, o ele transforma memória íntima em evidência coletiva, convocando a comunidade ao diálogo.
As histórias que as paredes não podem conter
“Memória de Moradia” é um documentário de escuta que percorre os corredores e apartamentos depredados do antigo conjunto habitacional. Entre os escombros, o filme recolhe os relatos de quem construiu sua vida ali. As narrativas trazem à tona lembranças do cotidiano, os vínculos de vizinhança que formavam uma comunidade e a dor da perda súbita do lar. Mais do que um inventário de perdas, o trabalho mapeia a resiliência e o que permanece (na lembrança e no afeto) quando a estrutura física da casa desaparece, deixando famílias espalhadas pelo aluguel social.
Informações técnicas
Dirigido e roteirizado por Ana Luiza Tece, com argumento e fotografia de Marcelo Sampaio, o documentário busca uma abordagem sensível e direta. A entrada para a sessão é franca, sem necessidade de retirada antecipada de ingressos. Os organizadores apenas pedem que o público chegue com 15 minutos de antecedência ao local: o Clube de Cinema de Marília, na Avenida Sampaio Vidal, 245, com entrada pelo Museu de Paleontologia.









