Entre 5 e 13 de setembro, a cidade sedia uma das mostras audiovisuais mais tradicionais do país, com exibições de longas e curtas, oficinas, debates e a competitiva premiação do Troféu Curumim.
O Festival de Cinema de Marília se prepara para mais uma edição, reforçando seu lugar como um dos pilares da sétima arte no Brasil. Com uma história que remonta à década de 1960, o evento consolida-se como uma vitrine de exibições, além de um fervilhante centro de formação, debate e celebração da cultura audiovisual. De 5 a 13 de setembro, o público mariliense e visitantes terão a oportunidade de mergulhar em uma programação diversa que inclui desde estreias nacionais até atividades formativas gratuitas.
Produzido pelo Clube de Cinema de Marília por meio da Lei Aldir Blanc, e com apoio de empresas especializadas, o festival promete, em sua edição de 2025, fomentar “novas vozes, olhares diversos e encontros que só o cinema pode proporcionar”, com uma mostra competitiva que reúne 23 curtas-metragens de todas as regiões do país.
Uma programação extensa e plural
O festival se destaca pela curadoria que abrange todas as regiões do país, dando visibilidade a produções consolidadas e emergentes. A programação é dividida entre mostras competitivas de curtas-metragens, exibições de longas-metragens e uma série de ações formativas.
Destaque para a Mostra Competitiva de Curtas, dividida em seis sessões ao longo do evento, que apresentará ao público e ao júri 23 filmes de estados como Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, entre outros. A diversidade temática e estilística é uma marca da seleção, curada por Vinícius de Moura Gabriel, Renata Weinberger e Iuri Bermudes.
Mostra Competitiva: Um Panorama do Curta Brasileiro Contemporâneo
O coração do festival bate na sua Mostra Competitiva de Curtas, dividida em seis sessões que mapeiam a diversidade e a potência da produção audiovisual brasileira independente. A curadoria, assinada por Vinícius de Moura Gabriel, Renata Weinberger e Iuri Bermudes, selecionou obras de estados do Norte ao Sul do país, com temáticas que variam do intimista ao fantástico, do social ao pessoal.
Sessão 1 (06/09 – 19h)
- Território de Grife (Mateus Oliveira, Campinas – SP, 2024, 16min26s): Um filme que investiga as marcas de uma cidade e suas identidades.
- A Menina e o Pote (Valentina Homem e Tati Bond, Olinda – PE, 2024, 12min18s): Uma narrativa sensível que parte de um objeto simples para explorar memória e afeto.
- Cavalo Marinho (Leo Tabosa, Recife – PE, 2024, 22min07s): Uma imersão na cultura popular pernambucana através de uma das suas mais ricas expressões.
- Lança-Foguete (William Oliveira, Recife – PE, 2025, 16min): Uma história que mistura tradição e conflito moderno no agreste brasileiro.
Sessão 2 (07/09 – 19h)
- Enquanto Dormes (Igor Bezerra Ferreira, São Miguel do Gostoso – RN, 2024, 13min19s): Uma abordagem onírica ou suspense cotidiano a partir de um momento de vulnerabilidade.
- Tapando Buracos (Pally e Laura Fragoso, Maceió – AL, 2025, 19min59s): Uma metáfora visual e social sobre reparos, tanto na rua quanto na vida.
- Soneca e Jupa (Rodrigo R. Meireles, Conselheiro Lafaiete – MG, 2024, 18min49s): A história de dois personagens peculiares, explorando amizade e solidão.
- Marmita (Guilherme Peraro, Assis, SP / Londrina – PR, 2025, 21min09s): Um filme que conecta afetos e sustento, possivelmente tratando de trabalho, família e alimentação.
Sessão 3 (08/09 – 19h)
- Tsuru (Pedro Anias, Salvador – BA, 2024, 06min13s): Uma pausa poética inspirada no origami, sugerindo delicadeza e brevidade.
- A Caverna (Louise Fiedler, Curitiba – PR, 2025, 14min58s): Uma releitura do mito platônico ou uma investigação sobre lugares obscuros e conhecimento.
- Kabuki (Tiago Minamisawa, Campinas – SP / Florianópolis – SC, 2024, 14min41s): Um filme que deve dialogar com o teatro tradicional japonês, explorando performance e identidade.
- Quem Ficou Fui Eu (Luiza Pace e Maria Garé, Arujá – SP, 2025, 20min): Um drama sobre ausência, abandono e a resiliência de quem permanece.
- Queimando Por Dentro (Enock Carvalho e Matheus Farias, Recife – PE, 2024, 16min35s): Um título sugestivo de um conflito interno intenso, paixão ou revolta.
Sessão 4 (09/09 – 19h)
- Raposa (Margot Leitão e João Fontenele, Acaraú – CE, 2024, 15min25s): Um animal often associado à astúcia guia esta narrativa, que pode ser um conto popular ou uma metáfora social.
- Visagens e Visões (Rod Rodrigues, Belém – PA, 2024, 18min59s): Um mergulho no imaginário amazônico, suas assombrações e lendas.
- Abandonar um Cavalo (Arthur Pereira Maciel, Araçoiaba da Serra – SP, 2025, 13min44s): Um ato simbólico que pode tratar de liberdade, perda ou uma difícil decisão.
- Linda do Rosário (Vladimir Seixas, Rio de Janeiro – RJ, 2024, 19min09s): Um filme que homenageia ou investiga a vida de uma personagem específica, cheia de história e personalidade.
Sessão 5 (10/09 – 19h)
- Mães (Bruna Aguiar, Rio de Janeiro – RJ, 2024, 21min33s): Uma reflexão plural e comovente sobre as diferentes faces e significados da maternidade.
- Quando Eu For Grande? (Mano Cappu, Curitiba – PR, 2025, 15min): Uma questão atemporal que investiga expectativas, sonhos e a pressão sobre o futuro.
- Dependências (Luisa Arraes, Rio de Janeiro – RJ, 2023, 18min13s): Um olhar sobre relações de interdependência, sejam emocionais, químicas ou sociais.
- Pai, Volta Logo (Monica Ogaya, Jales – SP, 2023, 15min29s): Um apelo carregado de saudade e espera, explorando a figura paterna e a ausência.
Sessão 6 (11/09 – 19h)
- Ponto e Vírgula (Thiago Kistenmacker, Rio de Janeiro – RJ, 2024, 17min33s): Um símbolo gramatical que representa uma pausa, mas não um fim, sugerindo um recomeço.
- Benedita (Lane Lopes e Cadu Azevedo, Volta Redonda – RJ, 2025, 19min43s): Um filme que coloca uma mulher no centro da narrativa, provavelmente baseado em uma história real ou de forte impacto social.
- Amarela (André Hayato Saito, São Paulo – SP, 2024, 15min): A cor pode definir um tom, um sentimento ou uma identidade cultural neste trabalho.
- Arame Farpado (Gustavo de Carvalho, Paraguaçu Paulista – SP, 2025, 21min52s): Uma fronteira física e social, representando divisão, proteção e perigo.
Destaques da programação de longas
Cada noite do festival será coroada com a exibição de um longa-metragem de destaque no cenário nacional, muitos com a presença confirmada de diretores e produtores.
- 05/09 – “Oeste Outra Vez” (Erico Rassi, 2024, 14 anos): a noite de abertura contará com a exibição deste longa, apresentado pelo próprio diretor, Erico Rassi, e pela produtora Cristiane Miotto. O filme promete revisitar os arquétipos do faroeste sob uma perspectiva contemporânea brasileira.
- 07/09 – “Manas” (Marianna Brennand, 2024, 16 anos): um drama que explora os laços de irmandade e do abuso ocorrido dentro do próprio seio familiar, dirigido por Marianna Brennand.
- 08/09 – “Pau D’arco” (Ana Aranha, 2025, 14 anos): dirigido por Ana Aranha, o longa deve abordar questões sociais e ambientais, gênero no qual a diretora já possui trajetória reconhecida.
- 09/09 – “A Melhor Mãe do Mundo” (Anna Muylaert, 2025, 14 anos): a consagrada diretora Anna Muylaert (“Que Horas Ela Volta?”) retorna com um novo trabalho, promovendo reflexões sobre a maternidade e as estruturas familiares na sociedade contemporânea.
- 10/09 – “Suçuarana” (Clarissa Campolina e Sérgio Borges, 2024, 12 anos): uma narrativa que entrelaça a vida humana e animal no cerrado brasileiro, dirigida pela dupla mineira premiada internacionalmente.
- 11/09 – “Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá” (Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero, Luisa Lanna, 2024, 16 anos): um documentário etnográfico e poético que mergulha na cultura e na cosmologia do povo indígena Maxakali, com direção compartilhada entre realizadores indígenas e não-indígenas.
- 12/09 – “O Último Azul” (Gabriel Mascaro, 2025, 14 anos): o aclamado diretor pernambucano Gabriel Mascaro (“Boi Neon”) apresenta seu mais novo trabalho, aguardado com grande expectativa pela crítica.
- 13/09 – “Um Lobo Entre os Cisnes” (Marcos Schechtman, Helena Varvaki, 2025, 16 anos): o longa que precede a cerimônia de encerramento encerra a mostra com uma narrativa que promete tencionar conceitos de identidade e pertencimento.
Ações formativas e espaço para o debate
Além das exibições, o festival investe fortemente na formação de novas plateias e realizadores. Destaque para a Oficina “Fazer Jogos É Para Você Também”, ministrada pelo game designer Ygor Speranza (Ubisoft, Fortis, Tapps Games), nos dias 11 e 12/09. A atividade, gratuita, visa democratizar o acesso à criação de games, mostrando que a linguagem é acessível a todos, mesmo sem experiência prévia.
Outro ponto alto é a Mesa de Debate “Marília Território Audiovisual”, no dia 10/09, com a presença de Maria Inês Godinho, Luís Eduardo Diaz Toledo Martins e Gui Nascimento, mediada por Jonathan Natalício. O debate discutirá o potencial e os desafios da produção audiovisual local.
A acessibilidade também é uma prioridade, com várias sessões e atividades contando com tradução em Libras.
Programação
05 set (sex)
- 10:00 – Oficina de Memórias Sonoras com Ana Paula Bonaf
- Local: Escola Estadual “Amélia Lopes Anders”
- 14:00 – Apresentação de Pitching CristaLab/iCine
- Local: Sala de Projeção do Clube de Cinema
- 19:00 – Cerimônia de Abertura + Homenagem a Roberto Caetano Cimino
- Local: Teatro Municipal [COM LIBRAS]
- 20:00 – Longa: Oeste Outra Vez (Erico Rassi, 2024, 14 anos)
- Local: Teatro Municipal [COM LIBRAS]
06 set (sáb)
- 19:00 – Mostra Competitiva de Curtas – Sessão 1
- Local: Teatro Municipal
- Filmes: Território de Grife; A Menina e o Pote; Cavalo Marinho; Lança-Foguete.
- 20:30 – Longa: Manas (Marianna Brennand, 2024, 16 anos)
- Local: Teatro Municipal
07 set (dom)
- 19:00 – Mostra Competitiva de Curtas – Sessão 2
- Local: Teatro Municipal
- Filmes: Enquanto Dormes; Tapando Buracos; Soneca e Jupa; Marmita.
- 20:30 – Longa: Pau D’arco (Ana Aranha, 2025, 14 anos)
- Local: Teatro Municipal
08 set (seg)
- 19:00 – Mostra Competitiva de Curtas – Sessão 3
- Local: Teatro Municipal
- Filmes: Tsuru; A Caverna; Kabuki; Quem Ficou Fui Eu; Queimando Por Dentro.
- 20:30 – Longa: A Melhor Mãe do Mundo (Anna Muylaert, 2025, 14 anos)
- Local: Teatro Municipal
09 set (ter)
- 09:00 – Sessão de Curta Infanto-Juvenil
- Local: Teatro Municipal
- 15:00 – Mesa de Debate: “Marília Território Audiovisual”
- Local: Teatro Municipal [COM LIBRAS]
- 19:00 – Mostra Competitiva de Curtas – Sessão 4
- Local: Teatro Municipal
- Filmes: Raposa; Visagens e Visões; Abandonar um Cavalo; Linda do Rosário.
- 20:30 – Longa: Suçuarana (Clarissa Campolina e Sérgio Borges, 2024, 12 anos)
- Local: Teatro Municipal
10 set (qua)
- 15:00 – Oficina: “Fazer Jogos É Para Você Também” – Módulo 1 com Ygor Speranza
- Local: Sala de Projeção do Clube de Cinema
- 19:00 – Mostra Competitiva de Curtas – Sessão 5
- Local: Teatro Municipal
- Filmes: Mães; Quando Eu For Grande?; Dependências; Pai, Volta Logo.
- 20:30 – Longa: Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá (Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero, Luisa Lanna, 2024, 16 anos)
- Local: Teatro Municipal
11 set (qui)
- 15:00 – Oficina: “Fazer Jogos É Para Você Também” – Módulo 2 com Ygor Speranza
- Local: Sala de Projeção do Clube de Cinema
- 19:00 – Mostra Competitiva de Curtas – Sessão 6
- Local: Teatro Municipal
- Filmes: Ponto e Vírgula; Benedita; Amarela; Arame Farpado.
- 20:30 – Longa: O Último Azul (Gabriel Mascaro, 2025, 14 anos)
- Local: Teatro Municipal
12 set (sex)
- 10:00 – Oficina Pontos Mis: Edição de Dublagem com Italo Yuri
- Local: Sala de Projeção do Clube de Cinema
- 15:00 – Sessão Trilhas (Realizadores Marilienses)
- Local: Teatro Municipal [COM LIBRAS]
- 16:00 – Sessão Travessia (Obras em primeiro corte/Pré-estreias)
- Local: Teatro Municipal [COM LIBRAS]
- 18:30 – Longa: Um Lobo Entre os Cisnes (Marcos Schechtman, Helena Varvaki, 2025, 16 anos)
- Local: Teatro Municipal
- 20:30 – Cerimônia de Encerramento e Premiação do Troféu Curumim
- Local: Teatro Municipal [COM LIBRAS]
Inscrições:
As inscrições para a oficina de games com Ygor Speranza estão abertas e podem ser feitas via formulário online. A programação geral do festival é gratuita ou sujeita à lotação dos espaços.









