Grupo criminoso vendia documentos falsos para registro profissional; site fraudulento foi bloqueado e ao menos oito pessoas já atuavam ilegalmente.
A Polícia Federal (PF) deflagrou no dia 11 de junho, quarta-feira, a Operação Código 451, uma ação em larga escala para desarticular uma organização criminosa especializada na falsificação e comércio de diplomas de ensino superior. O objetivo da quadrilha era fornecer documentos falsos para que clientes obtivessem registros profissionais ilegais e exercessem atividades regulamentadas, como nas áreas de saúde, engenharia e direito.
Ao todo, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em cidades de 11 estados brasileiros. Durante as ações, foi realizada uma prisão em flagrante no Piauí, relacionada à posse de arma de fogo adulterada.
A engrenagem da fraude
As investigações começaram após a identificação de um diploma falso apresentado para registro em um conselho profissional.

A análise aprofundada revelou a existência de um site fraudulento, criado para simular um ambiente oficial de verificação de diplomas universitários. Este site, com aparência legítima, era a vitrine principal da operação criminosa.
De acordo com a PF, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas envolvendo a produção, venda e utilização de diplomas e históricos escolares falsificados.

2O material era comercializado através de redes sociais e aplicativos de mensagem. A investigação também apura indícios de lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Alcance nacional e profissões afetadas
A operação atingiu endereços em diversas regiões do país. As buscas ocorreram nas seguintes localidades:
Distrito Federal: Sudoeste, Asa Norte, Asa Sul, Águas Claras, Vicente Pires.
Goiás: Goiânia, Rio Verde, Luziânia.
Minas Gerais: Barbacena, Belo Horizonte, Contagem, Unaí.
Ceará: Fortaleza.
Piauí: Colônia do Gurgueia.
Paraná: Paranaguá.
Rio Grande do Norte: Natal.
Mato Grosso do Sul: Campo Grande, Cassilândia.
Rio de Janeiro: Duque de Caxias.
Bahia: Salvador.
São Paulo: São Paulo.
Os diplomas falsificados abrangiam um amplo leque de cursos superiores, incluindo Direito, Psicologia, diversas Engenharias, Biomedicina, Fisioterapia, Administração e Educação Física. A PF já identificou pelo menos 33 diplomas fraudulentos vinculados ao site bloqueado.
O site falso foi bloqueado por determinação judicial por violar a legislação federal. A PF também informou que comunicou os conselhos profissionais competentes sobre os registros obtidos mediante documentação falsa. Isso permitirá a adoção de medidas administrativas e disciplinares cabíveis.
Pelo menos oito pessoas que adquiriram os documentos falsos já estavam com registros ativos em conselhos de classe, atuando profissionalmente de forma ilegítima. Os investigados, incluindo o suposto líder do esquema e os beneficiários da fraude, poderão responder por crimes como:
– Falsificação de documento público
– Uso de documento falso
– Estelionato
– Exercício ilegal de profissão
– Receptação de documentos falsos
– Associação criminosa
– Lavagem de dinheiro
A Operação Código 451 evidencia os riscos da falsificação de diplomas para a sociedade, especialmente quando envolvem profissões que impactam diretamente a segurança e o bem-estar da população.









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