Dados de 2025 mostram recuo alarmante nas taxas de imunização infantil no município, com maioria das vacinas abaixo da meta do PNI; situação contrasta com o ano anterior.
Dados do Ministério da Saúde revelam um cenário preocupante para a saúde da população garcense. A cobertura vacinal de 2025, para a maioria das imunizações de rotina em crianças, apresenta uma queda acentuada em relação a 2024, ficando abaixo das metas estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Enquanto no ano passado o município mantinha altas taxas de proteção, vários indicadores deste ano acendem um sinal de alerta sobre o risco de retorno de doenças já controladas.
Plano de prevenção de doenças no Brasil
Criado em 1973, o Programa Nacional de Imunizações é reconhecido mundialmente como um dos mais completos e bem-sucedidos sistemas públicos de vacinação. O PNI oferece, de forma gratuita, todas as vacinas necessárias para proteger a população desde o nascimento até a terceira idade, seguindo um calendário científico rigoroso. O sucesso do programa ao longo de décadas é responsável pela erradicação da varíola e pela eliminação de doenças como a poliomielite (paralisia infantil) e o sarampo por longos períodos. Manter altas coberturas vacinais é fundamental para sustentar essas conquistas.
Garça em números: a regressão de 2024 para 2025
Em análise comparativa de dados fornecidos pelo Ministério da Saúde, há um evidente retrocesso nos números que indicam a proteção das crianças garcenses:
- Ao nascer: a vacina BCG, que protege contra formas graves de tuberculose, caiu de 95,77% (acima da meta de 90%) para 81,95%. A Hepatite B ao nascer também recuou, de 95,52% para 81,20%. Ambas estão agora abaixo do ideal.
- Menores de 1 Ano: o quadro é crítico. Vacinas fundamentais como Hepatite B, DTP (contra difteria, tétano e coqueluche), Penta e Polio injetável despencaram de patamares acima de 100% em 2024 para cerca de 74% em 2025, muito distantes da meta de 95%. A Febre Amarela (91,04% para 81,20%) e a Meningo C (99,00% para 80,08%) também apresentam queda expressiva.
- 1 ano de idade: quase todas as vacinas de reforço sofreram redução. A Hepatite A infantil, por exemplo, foi de 100% para 87,59%. Os reforços da DTP e da Pneumo 10 também caíram, ficando abaixo de 86%.
- Gestantes: A proteção das gestantes com a dTpa (que protege o bebê contra a coqueluche) diminuiu de 82,59%, que já era considerada baixa, para 73,31%, aumentando ainda mais o risco para os recém-nascidos.
- Covid-19: a cobertura vacinal infantil contra Covid-19 permanece criticamente baixa, estagnada em cerca de 2,2%, deixando as crianças desprotegidas.
As consequências da não vacinação
Segundo o Ministério da Saúda, “a decisão de não vacinar uma criança ou uma gestante não é um ato individual, mas uma escolha com repercussões coletivas que pode ter consequências graves e irreversíveis”.
- Poliomielite: a baixa cobertura da vacina contra a pólio (74,44% em 2025) cria a porta de entrada para o retorno da paralisia infantil, uma doença que pode causar deficiência física permanente e morte.
- Difteria, Tétano e Coqueluche (DTP): A coqueluche é particularmente perigosa para bebês, podendo levar a paradas respiratórias e morte. O tétano neonatal tem uma letalidade extremamente alta. A queda da cobertura DTP para 74,81% é um dado alarmante.
- Sarampo (Tríplice Viral): Doença altamente contagiosa que pode causar pneumonia, encefalite (inflamação no cérebro) e morte. A manutenção de coberturas acima de 95% é essencial para evitar surtos. Atualmente Garça conta com 89,47% na 1ª dose e 86,47% 2ª dose da vacina, que protege contra 3 doenças causadas por vírus, como sarampo (atualmente em surto em várias cidades da região), caxumba e rubéola.
- Meningite: A vacina Meningo C previne formas graves de meningite, uma infecção das membranas que envolvem o cérebro, que pode deixar sequelas neurológicas e levar ao óbito em poucas horas.
- Para gestantes: A vacina dTpa, além de proteger a mãe, tem como principal objetivo transferir anticorpos para o bebê, protegendo-o contra a coqueluche nos primeiros meses de vida, quando a doença é mais letal.
Importância da vacinação como barreira para doenças
Vacinar-se um ato de cuidado individual que constrói um escudo de proteção para toda a comunidade, um conceito conhecido como “imunidade de rebanho”. Quando a cobertura vacinal é alta, a circulação de vírus e bactérias é interrompida, protegendo até mesmo quem não pode se vacinar por questões médicas. Já que, segundo o Ministério da Saúde, “diminuindo a circulação do vírus, diminui-se também a evolução deles para formas ainda mais letais das doenças”.
As vacinas disponibilizadas pelo SUS são seguras, passam por rigorosos testes antes de serem incorporadas ao PNI e são a forma mais eficaz de prevenir doenças, sequelas e mortes. Manter a caderneta de vacinação em dia é uma responsabilidade de todos.
Onde se vacinar:
A população de Garça deve procurar a Unidade de Saúde da Família (USF) de sua referência para atualizar a caderneta de vacinação de crianças, adolescentes, adultos e gestantes. É importante levar o cartão de vacina e um documento, sendo ele CPF ou cartão SUS.









