Relato de morador sobre morte súbita de mais de 90 peixes e adoecimento de cães após uso de água da torneira gera comoção e expõe crise no serviço, com população relatando problemas há meses e SAAE atribuindo fato a “pontos isolados” após enchentes.
Um caso envolvendo a morte de animais de estimação e água de coloração amarelada é mais uma das situações que expõe uma crise de desconfiança no abastecimento de Garça. O relato do morador José Elias Evangelista, que viu mais de 90 peixes morrerem minutos após contato com a água da torneira, reacendeu debates sobre a segurança do serviço e colocou o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) no centro das críticas de uma população que já enfrentava falta d’água no Natal.

A tragédia no tanque: peixes mortos em minutos e uma filha abalada
Em um relato emocionado, José Elias descreveu uma sequência de eventos que começou há cerca de um mês, quando suas três cadelas de pequeno porte passaram a vomitar sem motivo aparente. Na época, a família não suspeitou da água. O alerta definitivo, no entanto, aconteceu quando ele foi completar o nível de um tanque de peixes no quintal, adicionando aproximadamente 20 a 30 litros de água da torneira.
“Meia hora depois eu voltei e fui olhar a caixa. Ah, os peixes estavam todos mortos. Morreu mais de 90 peixes, entre grandes e pequenos”, contou Elias. Ele detalha que os animais, incluindo carpas e kings que tinham nomes dados por sua filha de 22 anos, que é autista, morreram em 15 ou 20 minutos, sem lesões aparentes. O prejuízo foi estimado em cerca de R$ 1.000, mas o impacto emocional foi maior. “A menina ficou abalada, já não queria comer… foi muito difícil”, disse o pai.
Ao observar a água utilizada, a família notou uma coloração “amarelada escuro”. Preocupado, José Elias registrou um protocolo de reclamação no SAAE, anexando fotos e vídeos, e exigiu explicações. Ele reforçou que a água que chega à sua casa continua com a aparência alterada. “Quem é doido de beber essa água?”, questionou.
SAAE alega “pontos isolados”
Em resposta aos relatos que se multiplicaram nas redes sociais, o SAAE m Garça emitiu uma nota técnica. A autarquia alega que a água sai da Estação de Tratamento em conformidade com as normas e passa por todas as etapas de desinfecção. No entanto, reconheceu “alguns pontos isolados” com água amarelada.
A nota lista fatores que poderiam alterar a cor da água no caminho até as residências: paralisações do sistema por falta de energia, inundação da captação (como a ocorrida recentemente), manutenções, baixa pressão nas redes ou rompimentos que permitem a entrada de areia e terra. O SAAE informou que suas equipes estão realizando a “descarga de redes” no período noturno para eliminar a água com essa característica e pediu que novos casos sejam comunicados.
Cronologia de uma crise: Natal sem água e normalização anunciada
Diferente das alegações da Autarquia, a população defe de que o problema atual não é isolado. Garcenses e jafenses vem relatando há meses queixas sobre a qualidade da água. Além disso, uma crise mais aguda começou após uma forte chuva na segunda semana de dezembro. O SAAE emitiu um comunicado informando que uma enchente havia danificado bombas do setor de captação. Uma nova inundação atrasou a recuperação dos reservatórios, o que deixou diversos bairros sem abastecimento durante o Natal.
Quatro dias depois, em 17 de dezembro, o SAAE divulgou uma nova nota com um selo de “✅ Abastecimento normalizado”, afirmando que o sistema estava totalmente pressurizado. A autarquia agradeceu a “compreensão” da população, mas admitia que “casos pontuais seguem em avaliação”. Mas as reclamações da população se seguiram em grupos de rede social, com relatos e fotos da coloração da água.
Revolta nas redes: moradores nontradizem “Normalização”
A justificativa de “pontos isolados” e o anúncio de normalização não acalmaram os ânimos. Na própria publicação oficial do SAAE sobre a coloração da água, moradores deixaram comentários relatando problemas. As respostas formam um coro de insatisfação que contradiz a ideia de casos isolados, com pessoas de diferentes bairros descrevendo água suja, barrenta ou amarelada saindo de suas torneiras mesmo após o dia 17. Os relatos sugerem que a situação é mais ampla do que o comunicado oficial indica.
Enquanto o SAAE alega que está trabalhando para resolver os problemas de forma ordenada, famílias como a de José Elias seguem em alerta. O caso dos peixes mortos, somado ao adoecimento dos cães e aos inúmeros relatos similares, levanta questões urgentes sobre a transparência nas informações, a real extensão do comprometimento da qualidade da água e os riscos à saúde pública e animal.










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