Pesquisa da Universidade do Wisconsin testa método que utiliza o comportamento social dos morcegos-vampiros para distribuir a vacina em colônias silvestres
Um estudo pioneiro da Universidade do Wisconsin, nos Estados Unidos, pode transformar a forma como a raiva é controlada em morcegos, animais que atuam como principais transmissores da doença para o gado e pets. A pesquisa propõe a aplicação de uma vacina antirrábica em gel, aproveitando o hábito desses mamíferos de se lamberem mutuamente para distribuir a imunização dentro de colônias selvagens.
Os testes foram realizados com 24 morcegos-vampiros (Desmodus rotundus), representando 20% de uma colônia no México. Os cientistas aplicaram um gel contendo uma substância fluorescente, simulando a vacina, e, em capturas posteriores, observaram que 83% dos morcegos do grupo haviam sido expostos ao produto, especialmente fêmeas e filhotes. Essa alta taxa de disseminação sugere que o método pode ser eficaz em larga escala, reduzindo a circulação do vírus em populações selvagens.
Risco em áreas urbanas
Embora o estudo tenha focado em morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue), a preocupação com a raiva também se estende a espécies urbanas, como os morcegos frugívoros e insetívoros. Na cidade de São Paulo, por exemplo, há registros da doença nesses animais, que podem transmitir o vírus se forem capturados por cães e gatos ou manipulados por pessoas sem proteção.
Recomendações para a população
- Mantenha a vacinação antirrábica de pets em dia;
- Nunca toque em morcegos caídos – acione a vigilância sanitária ou bombeiros local;
- Evite contato com animais silvestres sem equipamento adequado.
O estudo, publicado no BioRxiv em 12 de junho, ainda precisa de validação em larga escala, mas abre caminho para estratégias mais eficientes no combate à raiva, doença que mata cerca de 59 mil pessoas por ano no mundo, segundo a OMS.









