Mês alerta para sintomas silenciosos, importância do diagnóstico precoce e avanços no tratamento de dois tipos de câncer que afetam milhares de brasileiros, sobretudo mulheres.
Setembro é um mês marcado por várias cores na saúde, e o turquesa traz um alerta duplo: a conscientização sobre os cânceres de ovário e de tireoide. Embora afetem órgãos distintos, ambas as doenças compartilham a característica de serem, muitas vezes, silenciosas em seus estágios iniciais, o que eleva a importância de campanhas informativas para empoderar a população sobre os sinais de alerta e a busca por diagnóstico precoce.
O Setembro Turquesa não é amplamente reconhecida por sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), que lideram as iniciativas de divulgação.
Câncer de Ovário: o tumor silencioso
Conhecido como “câncer silencioso”, o de ovário é o segundo tumor ginecológico mais comum, perdendo apenas para o câncer do colo do útero. Sua alta taxa de mortalidade está diretamente ligada ao diagnóstico tardio, já que cerca de 75% dos casos são descobertos em estágios avançados.
- Sintomas: São sutis e frequentemente confundidos com problemas gastrointestinais. Incluem: inchaço abdominal constante, dor pélvica ou abdominal, dificuldade para se alimentar ou sensação de plenitude rápida, alterações no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre) e necessidade urgente de urinar.
- Grupos de risco: Histórico familiar da doença (principalmente em parentes de primeiro grau), mutações genéticas (como BRCA1 e BRCA2), nunca ter engravidado, endometriose profunda, menarca precoce ou menopausa tardia.
- Quando procurar ajuda: A recomendação médica é clara: sintomas novos, persistentes e que ocorram por mais de 12 dias no mês devem ser investigados por um ginecologista.
- Tratamento: O tratamento geralmente combina cirurgia (para remoção do tumor) e quimioterapia. O diagnóstico precoce é a chave para cirurgias menos invasivas e melhor prognóstico. Manter uma rede de apoio psicológico, seguir uma nutrição adequada para lidar com os efeitos colaterais do tratamento e praticar atividades físicas leves, quando autorizado, são fundamentais para a qualidade de vida.
Câncer de Tireoide: a neoplasia com bom prognóstico
O câncer de tireoide é o mais comum da região da cabeça e pescoço no Brasil e possui, em geral, altíssimas taxas de cura quando tratado adequadamente. Apesar disso, a conscientização é essencial para evitar que casos mais agressivos passem despercebidos.
- Sintomas: O principal sinal é o aparecimento de um nódulo palpável na região anterior do pescoço. Outros sintomas podem incluir: rouquidão persistente, dificuldade para engolir ou respirar, e inchaço no pescoço.
- Grupos de risco: Histórico familiar de câncer de tireoide, exposição prévia à radiação na região da cabeça e pescoço (especialmente na infância) e ser do sexo feminino (as mulheres são três vezes mais afetadas).
- Quando procurar ajuda: Ao notar qualquer caroço ou nódulo no pescoço, ou ao experienciar os sintomas descritos de forma persistente, deve-se procurar um endocrinologista ou clínico geral.
- Tratamento: A cirurgia de tireoidectomia (remoção total ou parcial da glândula) é o pilar do tratamento. Pode ser seguida pela Terapia com Iodo Radioativo (RAI) para eliminar células remanescentes. Após o tratamento, o paciente necessitará de reposição hormonal vitalícia com levotiroxina, que permite uma vida perfeitamente normal e saudável. Monitoramento periódico com exames de sangue e ultrassom é essencial.
Doenças relacionadas
Para o câncer de ovário, a síndrome hereditária de câncer de ovário e mama (associada aos genes BRCA) é a condição mais relevante. Já para a tireoide, histórico de nódulos benignos ou tireoidite de Hashimoto podem, em alguns contextos, demandar maior vigilância.
A mensagem central do Setembro Turquesa é de esperança, mas também de vigilância ativa. Conhecer o próprio corpo, prestar atenção aos sinais que ele emite e buscar regularmente um médico são as ferramentas mais poderosas para transformar o diagnóstico precoce em uma realidade cada vez mais frequente.









