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Anvisa proíbe suplementos irregulares e destaca riscos em plataformas digitais

Agência intensifica fiscalização sobre produtos com falta de registro, falsificação e propaganda enganosa, com alerta para compras online

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou a fiscalização sobre suplementos alimentares nos últimos dias, determinando a proibição, apreensão e recolhimento de produtos considerados irregulares. As medidas, publicadas no Diário Oficial da União, atingem desde grandes fabricantes até produtos de origem desconhecida vendidos em plataformas de e-commerce, revelando um cenário preocupante para a saúde dos consumidores.

Os principais problemas identificados vão desde a falta total de registro sanitário até a presença de ingredientes não autorizadoscontrole de qualidade deficiente e propaganda com alegações de cura não comprovadas. Em um caso específico, a Anvisa identificou uma versão falsificada de um suplemento popular sendo vendida na Shopee, plataforma que tem se tornado foco da vigilância sanitária.

Produtos e empresas afetadas pelas medidas

A lista de produtos proibidos pela Anvisa é extensa e inclui empresas de diferentes portes, além de itens de origem completamente desconhecida.

A resolução mais recente, publicada em 16 de dezembro, atinge quatro marcas com diferentes irregularidades:

  • Pharmacêutica Indústria e Laboratório Nutracêuticos Ltda. (todos os lotes) – Falta de regularização, constituintes não autorizados em alimentos, ausência de registro para suplemento probiótico e uso de marcas com alusão a propriedades terapêuticas não aprovadas.
  • Supra Ômega 3 TG 18 EPA/12 DHA + Vitamina E – Marca Global Suplementos (lote 071A) – Produto falsificado vendido na plataforma Shopee. A fabricante original (Akron Pharma) não reconhece o lote, que apresenta divergências significativas em relação ao original, incluindo material de rotulagem de qualidade inferior e até composição diferente, com ingredientes como ácido caprílico e cravo-da-índia que não constam na fórmula original.
  • R.T.K Indústria de Cosméticos e Alimentos Naturais Ltda. EPP (todos os produtos) – Resultado insatisfatório nas boas práticas de fabricação (BPF).
  • CANDFEMM (todos os lotes) – Produto de origem desconhecida, sem registro, que alegava conter probióticos para “saúde vaginal e intestinal” e prometia “eliminar a candidíase”, uma alegação não aprovada pela Anvisa.

Outras ações recentes da Anvisa

Além da proibição dessas quatro marcas, a Anvisa também tomou medidas contra outros produtos nas últimas semanas:

  • Timeline Mitopure: Suplemento de origem desconhecida vendido sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa. A agência determinou sua apreensão e proibiu comercialização, distribuição, fabricação, importação e consumo.
  • Capsul Brasil Indústria e Comércio S.A.: A empresa mineira teve todos os produtos fabricados até 5 de novembro de 2025 recolhidos do mercado. A suspensão foi motivada por falhas graves identificadas em inspeção das vigilâncias sanitárias de Minas Gerais e Divinópolis (MG).

Riscos à saúde e práticas identificadas

Os motivos para as proibições revelam diferentes níveis de risco para os consumidores, alguns com potencial grave para a saúde.

Falhas no controle de qualidade e falsificação

Frascos de suplementos alimentares, incluindo 'CANDFEMM' e 'Supra Ômega 3 TG', apresentados em embalagens distintas.

A situação da Capsul Brasil ilustra problemas estruturais em uma fabricante estabelecida. A inspeção identificou falta de estudo de estabilidade dos produtos, ausência de programa de controle de alergênicos, controle deficiente da qualidade da água usada na produção e rótulos com alegações terapêuticas não permitidas para suplementos.

Já o caso do Supra Ômega 3 vendido na Shopee mostra um cenário mais alarmante: trata-se de um produto falsificado que a fabricante legítima não reconhece. As cápsulas tinham tamanho diferente, composição alterada com ingredientes não originais, código de barras falso e recomendações de uso divergentes.

Propaganda enganosa e alegações não comprovadas

Dois casos se destacam pelo uso de alegações médicas não autorizadas:

  • CANDFEMM prometia “eliminar a candidíase”, uma afirmação que caracteriza o produto como medicamento, não como suplemento alimentar.
  • Produtos da Pharmacêutica Indústria usavam marcas que faziam “alusão a propriedades terapêuticas e funcionais não aprovadas”.

A Anvisa é rigorosa quanto às alegações permitidas para suplementos alimentares, que não podem prometer cura, tratamento ou prevenção de doenças.

Produtos sem qualquer regularização

Imagem de dois frascos de suplementos alimentares da marca Timeline, um com rótulo vermelho denominado 'Cellular Nutrition mitopure' e outro com rótulo branco denominado 'Longevity Supplement', ambos com cápsulas vermelhas ao lado.

Tanto o Timeline Mitopure quanto o CANDFEMM são de origem desconhecida e não possuem qualquer tipo de registro, notificação ou cadastro na Anvisa, o que significa que não há controle sobre sua composição, segurança ou eficácia.

Alertas para consumidores e comércio eletrônico

As ações da Anvisa trazem alertas importantes para quem consome suplementos alimentares:

  • Verifique a origem: Desconfie de produtos sem fabricante identificado ou com alegações milagrosas de cura.
  • Cuidado com e-commerce: O caso do Supra Ômega 3 falsificado na Shopee mostra que plataformas online podem ser usadas para vender produtos irregulares. Verifique se o vendedor é confiável e se o produto corresponde exatamente ao original.
  • Não confunda suplemento com remédio: Suplementos alimentares não tratam doenças. Alegações como “eliminar a candidíase” são proibidas e indicam irregularidade.

As medidas preventivas da Anvisa incluem proibição de comercialização, distribuição, fabricação, divulgação e consumo dos produtos listados. Empresas ou pessoas que continuarem a comercializá-los estarão sujeitas a penalidades.

Para os consumidores, a recomendação é verificar sempre se o suplemento possui registro na Anvisa, preferir compras em estabelecimentos físicos reconhecidos e desconfiar de preços muito abaixo do mercado ou promessas de resultados milagrosos. A saúde não é um risco que vale a pena correr.

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