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PF afasta “prefeito tiktoker” de Sorocaba por suspeita de corrupção na Saúde

Rodrigo Manga (Republicanos) é afastado por 180 dias; operação investiga desvios em contratos com Organização Social e prende empresário amigo do gestor. Defesa alega “perseguição política” e nulidade da investigação.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na quinta-feira, 6 de novembro, a segunda fase da Operação Copia e Cola, resultando no afastamento por 180 dias do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos). A ação investiga um esquema de corrupção e desvio de verbas públicas na área da Saúde do município.

As investigações

A decisão judicial, oriunda do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), determinou o afastamento de Manga do cargo. A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão e determinou o sequestro de bens no valor total de aproximadamente R$ 6,5 milhões. Os investigados podem responder por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa.

Dois mandados de prisão preventiva foram executados. Um dos presos é o empresário Marco Silva Mott, identificado pela PF como amigo pessoal do prefeito e suspeito de atuar como lobista e lavador de dinheiro em contratos municipais. Mott é casado com a irmã da primeira-dama de Sorocaba, Sirlange Frate Maganhato.

A investigação apura desvios de recursos públicos por meio de um contrato emergencial com uma Organização Social (OS) para serviços de saúde. A primeira fase da operação, em abril de 2025, já havia apreendido carros de luxo, armas e quase R$ 1 milhão em dinheiro.

A defesa do prefeito

Em nota, a defesa de Rodrigo Manga, representada pelo escritório Biaksy Advogados Associados, classificou a investigação como “completamente nula”, por ter sido, segundo eles, “iniciada de forma ilegal e conduzida por autoridade manifestamente incompetente”. Os advogados alegam “perseguição política” e afirmam que não há nada de concreto que relacione o prefeito ao inquérito. A defesa também questionou o afastamento, argumentando que os supostos fatos remontam a 2021 e que o mandato foi conquistado de forma “legítima e maciça” nas urnas.

Quem é Rodrigo Manga, o “Prefeito Tiktoker”

Rodrigo Manga, cujo apelido vem da variação do sobrenome Maganhato, assumiu a prefeitura de Sorocaba em 2021, após dois mandatos como vereador. Antes da política, era conhecido na cidade como vendedor de carros em programas de televisão local. Formado em marketing, ele foi reeleito no primeiro turno em 2024, com 73,75% dos votos válidos.

Em 2025, Manga ganhou projeção nacional como o “prefeito tiktoker”. Com vídeos curtos e chamativos, ele divulga obras de sua gestão, sempre finalizando com o bordão “vem morar em Sorocaba, vamos fazer a melhor cidade do Brasil para se viver”. A estratégia lhe rendeu milhões de visualizações e um total de 7 milhões de seguidores somando Instagram (3,8 mi) e TikTok (3,3 mi).

Em uma entrevista para o portal G1, Manga justificou a tática: “Acho que as pessoas cansaram desse discurso chato do político, daquele discurso longo, muito técnico, que ninguém entende nada”.

Outras frentes de investigação

O afastado prefeito já era alvo de outras investigações:

  • Uso de servidores comissionados em redes sociais: A TV TEM e o G1 denunciaram que quatro servidores comissionados, com salários de até R$ 19 mil, integram a equipe que produz os vídeos virais para os perfis pessoais de Manga. O Ministério Público investiga o uso de desinformação nesses conteúdos.
  • Bloqueio de bens por kits de robótica: Desde 2023, Manga e o secretário de Educação, Marcio Carrara, tiveram bens bloqueados por decisão judicial. O MP-SP investiga suposto superfaturamento na aquisição de kits de robótica no valor de R$ 26 milhões em 2021.
  • Compra de prédio superfaturado: A compra de um prédio para abrigar a Secretaria de Educação, em 2021, também é alvo de apuração. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) aponta superfaturamento de mais de R$ 10 milhões. Dois ex-secretários de Manga, um engenheiro e dois empresários foram condenados nesse processo, mas o prefeito não foi investigado.

Com o afastamento de Rodrigo Manga, assume o vice-prefeito, Fernando Neto (PSD).

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