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SUS incorpora vacina contra vírus sincicial respiratório para proteger gestantes e bebês

Com investimento de R$ 1,17 bilhão, Ministério da Saúde inicia distribuição de 673 mil doses; vacinação de grávidas a partir da 28ª semana está prevista para dezembro, com meta de 80% de cobertura. Estratégia visa prevenir bronquiolite e pneumonia, principais causas de hospitalização em menores de dois anos.

Em um movimento para combater uma das principais causas de hospitalização infantil, o Ministério da Saúde anunciou na terça-feira, 25 de novembro, a aquisição de 1,8 milhão de doses da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). O primeiro lote, com 673 mil doses, começa a ser distribuído aos estados ainda nesta semana, com a vacinação das gestantes prevista para iniciar em dezembro, tão logo as doses cheguem às Unidades Básicas de Saúde (UBS).

O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha durante evento com lideranças religiosas, em mais uma ação da pasta para fortalecer a adesão às campanhas de imunização. O investimento total na compra foi de R$ 1,17 bilhão.

Proteção transferida da mãe para o bebê

A estratégia de vacinação é focada em todas as gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, independentemente da idade da mãe. A recomendação é de uma dose única a cada nova gestação. O objetivo é proteger os recém-nascidos nos primeiros e mais críticos meses de vida, uma vez que os anticorpos gerados pela vacina na mãe são transferidos para o bebê ainda durante a gravidez.

Estudos clínicos, como o Estudo Matisse, comprovaram a eficácia dessa abordagem: a vacinação materna demonstrou uma eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos bebês durante seus primeiros 90 dias de vida.

Impacto na saúde pública

O VSR é um patógeno de alto impacto na saúde infantil, sendo responsável por aproximadamente 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. Dados do Ministério da Saúde mostram que, até 15 de novembro de 2025, o Brasil registrou 43,1 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo vírus. Desse total, mais de 35,5 mil hospitalizações (82,5%) ocorreram em crianças com menos de dois anos, faixa etária mais vulnerável às complicações.

Como a bronquiolite é uma infecção viral, não existe um tratamento específico, apenas manejo dos sintomas, que pode incluir suplementação de oxigênio e hidratação, muitas vezes exigindo internação hospitalar. A vacina surge, portanto, como uma ferramenta crucial de prevenção, capaz de reduzir significativamente as hospitalizações.

Avanço na cobertura vacinal

A incorporação da vacina no Sistema Único de Saúde (SUS) – cujo custo na rede privada pode chegar a R$ 1,5 mil – foi viabilizada por um acordo de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e o laboratório produtor internacional. Isso permitirá que o Brasil nacionalize a produção, garantindo autonomia no fornecimento futuro. A previsão é de que mais 4,2 milhões de doses sejam adquiridas até 2027.

A iniciativa reforça a retomada do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em 2025, o país registrou aumento na cobertura de 15 das 16 vacinas do calendário, revertendo uma tendência de queda que persistia desde 2016. Ações como o Dia D e a vacinação em escolas foram fundamentais para esse resultado.

Com a chegada das doses contra o VSR, o Ministério da Saúde orienta que as equipes das UBS verifiquem e atualizem a situação vacinal das gestantes, aproveitando a oportunidade para aplicar também os imunizantes contra influenza e covid-19, que podem ser administrados simultaneamente.

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