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Pesticidas cancerígenos no ar: risco invisível em zonas rurais e urbanas de SP

Estudo da USP revela que substâncias como atrazina e malationa contaminam o ar e aumentam o risco de câncer, especialmente em áreas agrícolas.

Pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da USP detectaram a presença de pesticidas no ar em diferentes regiões de São Paulo, incluindo áreas urbanas, industriais e rurais. O estudo, liderado pela cientista Aleinnys Marys Barredo Yera, desmistifica a ideia de que o campo tem ar mais limpo que a cidade.

As análises identificaram que a atrazina (um herbicida organoclorado) predomina em zonas agrícolas, enquanto a malationa (inseticida organofosforado) é mais comum em áreas urbanas. Ambas as substâncias estão associadas a danos celulares e aumento do risco de câncer.

A exposição prolongada a concentrações acima de 352 picogramas por metro cúbico (pg/m³) desses pesticidas pode elevar significativamente o risco de desenvolvimento de câncer, principalmente em bebês e pessoas com baixo peso corporal.

  • Atrazina: Persistente no ambiente, acumula-se no solo e na água, aumentando o risco de contaminação a longo prazo.
  • Malationa: Degrada-se mais rápido, mas é altamente tóxico, podendo causar efeitos neurológicos agudos.

A pesquisa também mostrou que a combinação de diferentes pesticidas no ar potencializa seus efeitos tóxicos, tornando o risco ainda maior.


Ar rural pode ser mais tóxico que o urbano

Ao contrário do senso comum, o estudo revelou que o ar em Piracicaba (região agrícola) apresentou maior toxicidade do que o de São Paulo (área urbana), com níveis mais altos de carcinogenicidade e estresse oxidativo.

  • Piracicaba: Maior concentração de atrazina (163 pg/m³) e heptacloro (78 pg/m³), mesmo após sua proibição.
  • São Paulo: Predomínio de permetrina (140 pg/m³), usada no controle de mosquitos.
  • Capuava (industrial): Malationa foi o pesticida mais detectado, com picos de até 827 pg/m³ de permetrina em 2015.

Persistência de pesticidas proibidos

Um dado alarmante foi a detecção de heptacloro, pesticida banido no Brasil desde 2004, ainda presente no ar de Piracicaba. Isso demonstra a persistência desses compostos no ambiente e a fragilidade na fiscalização.

O Brasil é o maior consumidor mundial de pesticidas, essenciais para a produtividade agrícola. No entanto, a pesquisadora Aleinnys alerta para a necessidade de controle mais rigoroso nas quantidades aplicadas e nos tipos de substâncias utilizadas, tanto no campo quanto nas cidades.

A pesquisa será consolidada em uma tese a ser apresentada em junho de 2025 no IQ-USP, reforçando a urgência de políticas públicas que reduzam a exposição da população a esses compostos.

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