Substância tóxica encontrada em produtos da Nutratta levou à interdição da fabricação e a processo administrativo; Ministério recorre contra decisão judicial que liberou parcialmente a produção.
Um caso inédito de contaminação em ração para equinos mobiliza o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Desde maio, 245 cavalos morreram em quatro estados após consumirem produtos da Nutratta Nutrição Animal Ltda, contaminados com alcaloides pirrolizidínicos, substância tóxica nunca antes detectada em rações no país. As investigações apontam falha no controle de matéria-prima, e o Mapa adotou medidas emergenciais, incluindo a suspensão da fabricação.
Substância proibida e efeitos graves
Análises do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária confirmaram a presença de monocrotalina, toxina derivada de plantas do gênero Crotalaria, capaz de causar danos neurológicos e hepáticos mesmo em pequenas doses.
“A legislação é clara: não pode estar presente em nenhuma hipótese”, afirmou o secretário Carlos Goulart. Todos os animais que adoeceram haviam consumido a ração da empresa, enquanto os demais permaneceram saudáveis.
A contaminação ocorreu devido à presença de resíduos vegetais tóxicos na matéria-prima. O Mapa instaurou processo administrativo, aplicou multa e determinou a interdição cautelar da produção de rações para equídeos, posteriormente estendida a todas as espécies. A Nutratta conseguiu liminar para retomar parte da produção, mas o Ministério recorreu, alegando riscos sanitários.
O órgão reforçou a fiscalização e promete atualizações transparentes à sociedade. “Estamos acompanhando de perto para evitar novos casos”, disse Goulart. Empresas do setor foram alertadas sobre a necessidade de rigor nos controles de qualidade.








