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Setembro Verde: campanha para transforma a morte em vida

Campanha nacional de conscientização sobre doação de órgãos busca vencer a desinformação e salvar milhares de vidas. Entenda a importância, o processo legal e como expressar sua vontade.

Setembro chega ao Brasil vestido de verde, a cor internacional da doação de órgãos. Muito além de uma campanha de conscientização, o Setembro Verde é um movimento de saúde pública que debate vida, morte, ciência e, sobretudo, solidariedade. A iniciativa, que tem seu ápice no Dia Nacional da Doação de Órgãos (27 de setembro), promove debates para esclarecer um dos gestos mais profundos de generosidade humana: a decisão de doar órgãos e tecidos para salvar ou transformar a vida de quem aguarda na fila de transplantes.

A importância da campanha
O principal objetivo do Setembro Verde é romper barreiras. Barreiras de desinformação, mitos e medos que ainda cercam o tema. A campanha é fundamental para educar a população, mostrando que a doação é um processo médico-legal rigoroso, seguro e, acima de tudo, ético.

No Brasil, o processo é regulamentado pela Lei Federal nº 10.211/2001, que alterou a Lei nº 9.434/1997 (conhecida como Lei dos Transplantes). Esta legislação estabelece que a retirada de órgãos e tecidos para transplante só pode ser feita após autorização de dois médicos não vinculados à equipe de transplante e mediante a autorização da família. Não há mais a necessidade de documento de consentimento do doador em vida, tornando a conversa familiar o passo mais importante de todos.

Como expressar a vontade de doar
A manifestação de vontade é um ato simples, mas que deve ser claro e comunicado. Não basta escrever no documento de identidade ou na carteira de motorista. O passo mais efetivo é:

  1. Conversar com a família: Esta é a etapa mais crítica. Deixe explícito e claro para seus familiares diretos (cônjuge, pais, filhos, irmãos) o seu desejo de ser um doador. É a família que, no momento de maior dor, autorizará ou não a doação.
  2. Registro em redes sociais: Embora não tenha valor legal, declarar publicamente seu apoio à causa ajuda a normalizar o tema e incentiva outros a fazerem o mesmo.
  3. Documento por escrito: Escrever uma carta ou documento datado e assinado, informando sua vontade, pode ser mostrado à família e serve como um forte argumento para eles.

Quem pode e quem não pode doar?
A doação de órgãos é um processo democrático. Todas as pessoas são consideradas potenciais doadoras, independentemente de idade, etnia ou histórico médico. A avaliação final sobre quais órgãos e tecidos são viáveis para transplante é feita pela equipe médica especializada, que analisa o caso específico para garantir a segurança do receptor.

Contraindicações absolutas são raras e geralmente estão relacionadas a doenças infectocontagiosas em atividade (como HIV não controlado) ou doenças degenerativas com comprometimento sistêmico que possam ser transmitidas ao receptor. Casos de morte por causa mal definida ou suspeita de doença infecciosa são analisados com extremo rigor. Idade avançada ou a presença de doenças crônicas controladas (como diabetes ou hipertensão) não são, por si só, impeditivos para a doação.

O que pode ser doado: em vida e após a morte
A doação pode ocorrer de duas formas:

  • Doador vivo: Pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Para isso, é necessário ser maior de idade, ter boa saúde, compatibilidade com o receptor e consentimento livre e esclarecido. A doação entre parentes até quarto grau é permitida; para não parentes, depende de autorização judicial.
  • Doador falecido: Após a confirmação de morte encefálica (conceito legal de morte no Brasil), podem ser doados:
    • Órgãos: coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino e rins.
    • Tecidos: córneas, pele, ossos, válvulas cardíacas, tendões, cartilagens e vasos sanguíneos.

O impacto de um doador
Um único doador falecido tem o potencial de salvar ou melhorar a vida de dezenas de pessoas. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Brasil possui uma das maiores redes públicas de transplantes do mundo, mas a fila de espera ainda é longa.

Estima-se que mais de 50 mil pessoas aguardam por um órgão no país. Em 2022, foram realizados cerca de 10 mil transplantes de órgãos sólidos (como rim, fígado e coração) e mais de 20 mil transplantes de tecidos, especialmente córneas. Cada número representa uma vida salva, uma visão restaurada, uma família que recupera a esperança.

A doação de órgãos é a materialização da esperança e um legado de vida que pode ser deixado mesmo após a partida. No entanto, esse ciclo virtuoso só se completa com uma conversa franca em família. Declarar seu desejo é o primeiro e mais importante transplante a ser feito: o da ideia de solidariedade para o coração de quem você ama.

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