Estudantes do Ceará, Pernambuco e Sergipe garantem o Top Gold, duas medalhas de ouro e uma de prata na competição internacional; próxima edição será sediada pelo Instituto Butantan, em São Paulo
Um feito inédito marcou a participação brasileira na 18ª Olimpíada Ibero-Americana de Biologia (OIAB), encerrada no sábado, 1º de setembro, na Colômbia. A delegação do Brasil, formada por quatro estudantes do Ensino Médio, não só voltou para casa com medalhas, mas também conquistou o primeiro lugar geral na competição, um resultado histórico para o país.
Os jovens foram selecionados por seu desempenho de excelência na Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB), organizada pelo Instituto Butantan, e passaram por uma capacitação no instituto paulista antes de embarcar para a competição internacional.
O cearense Paulo Vinicius Rodrigues de Azevedo, do Colégio Master, em Fortaleza, alcançou a pontuação mais alta de todos os competidores, garantindo o prêmio Top Gold. Julia Mota Miranda, do Colégio GGE, do Recife (PE), e João Nilson Pedreira da Cruz Neto, do Colégio Coesi, de Aracaju (SE), conquistaram medalhas de ouro. Já Francisco Ulisses Montenegro Campos, do Colégio Ari de Sá, também de Fortaleza, foi agraciado com a prata. Para todos, esta foi a primeira experiência em uma competição internacional de biologia.
Para João Nilson, a vitória tem um gosto especial por representar Sergipe, que pela primeira vez teve um estudante na OIAB. A viagem para a Colômbia também foi sua primeira fora do país, uma oportunidade que ele credita à medalha de ouro obtida na OBB nacional. “Agradeço a todos que me ajudaram a participar desse marco incrível na minha história”, disse. Ele destacou que, mais do que as provas, a chance de interagir com jovens de outras culturas foi a parte mais enriquecedora da experiência.
Julia Mota Miranda, que também viajou internacionalmente pela primeira vez, descreveu a participação como a realização de um sonho. Ela, no entanto, usou o momento para destacar um desafio: a baixa participação de meninas em olimpíadas científicas. “Além do resultado obtido pela delegação brasileira, torço para que a minha participação e desempenho sirvam de estímulo para que outras garotas participem das olimpíadas científicas”, explicou.
Butantan sedia próxima edição em 2026
A delegação brasileira retornou da Colômbia com as medalhas, o troféu de primeiro lugar e um símbolo especial da OIAB, que ficará sob a guarda do Instituto Butantan até a próxima edição. Isto porque, em 2026, o Brasil será o país-sede da competição, que será realizada no próprio Butantan, em São Paulo. Será a terceira vez que o país recebe o evento, após edições no Rio de Janeiro (2008) e Brasília (2016).
Segundo Sonia Aparecida de Andrade Chudzinski, pesquisadora do Butantan e coordenadora nacional da OBB, sediar a olimpíada é uma oportunidade de incentivar o estudo da biologia e promover trocas culturais e científicas. “A Comissão Organizadora já está trabalhando na parte técnica-científica, elaboração dos testes teóricos e práticos, bem como em diferentes aspectos de uma recepção carinhosa e cheia de experiências científicas e culturais”, afirmou.
A OBB, porta de entrada para as competições internacionais, contou com 161 mil participantes em 2025. Recentemente, o Butantan foi homenageado pelo Conselho Federal de Biologia (CFBio) pela excelência na organização da olimpíada nacional. Sonia Andrade também foi agraciada pelo seu trabalho à frente da competição e por sua dedicação à disseminação do conhecimento científico.









