Agência emite comunicado após denuncias em redes sociais exporem o uso de pó decorativo com polipropileno (PP) em bolos e doces. Confira como identificar produtos irregulares e fazer denúncias.
Um alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) trouxe à tona um risco que passa despercebido em festas e confeitarias: o uso de glitter plástico na decoração de alimentos. A agência deixou claro que plásticos, como o polipropileno (PP) micronizado, não são autorizados como componentes de alimentos. A medida foi tomada após questionamentos que ganharam força nas redes sociais, onde criadores de conteúdo já haviam exposto a prática.
A origem do alerta: denúncias e investigação nas redes
Antes mesmo do posicionamento formal da Anvisa, o assunto era alvo de investigação por parte de influenciadores. O canal Almanaque SOS foi um dos pioneiros a levantar a bandeira de alerta, mostrando que produtos vendidos como “glitter comestível” eram, na verdade, feitos de plástico, ou seja, glitter comum.
Em um de seus vídeos, Dário Centurione relata: “Vendido como glitter comestível, outra marca de glitter comestível. Com uma composição… Feito de PET. PP. Estamos comendo garrafas”. Ele ainda destacou a desinformação no comércio, ao visitar uma padaria e ver diversos doces, ele questiona uma funcionária: “O glitter é comestível?” e ela apontar afirmativamente, ele tenta ainda alertar, mas ela confirma que o próduto é sim comestível.
A repercussão foi tamanha que, conforme relatado no vídeo, o canal entrou em contato com a Vigilância Sanitária. “A gente tá conversando com Anvisa faz uma semana já. Alguma coisa tá acontecendo, eles tão analisando”, disse Dário. O alerta da Anvisa, publicado em 21 de outubro, confirma que a agência acionou seus canais oficiais de fiscalização.
O que a Anvisa determinou
A Anvisa foi taxativa: pós decorativos ou glitters que contenham polipropileno (PP) micronizado ou qualquer outra substância plástica não podem ser usados em alimentos. Esses materiais são permitidos apenas em objetos decorativos não comestíveis, como cenários para festas.
A regra é clara: qualquer produto utilizado para colorir ou decorar bolos, doces e similares é considerado um alimento. Portanto, deve ser fabricado exclusivamente com ingredientes e aditivos alimentares autorizados pela agência.
Como identificar um produto seguro
A Anvisa orienta consumidores e profissionais a adotarem uma postura crítica na hora da compra. Como as lojas podem vender, lado a lado, produtos comestíveis e não comestíveis, a atenção ao rótulo é fundamental. Para um produto ser seguro, o rótulo deve conter:
- A denominação de venda: Nome oficial que indica a finalidade, como “Corante artificial para fins alimentícios” ou “Açúcar para confeitar”.
- Lista de ingredientes: Todos os componentes devem ser autorizados para uso em alimentos. A presença de “PP micronizado”, “PET” ou “polipropileno” torna o produto improprio para consumo.
- Lote e data de validade: Informações obrigatórias para alimentos.
- Declaração de alergênicos e glúten: Conforme exige a legislação.
Plástico só é permitido na embalagem
A agência reforça que o uso de plásticos é autorizado apenas em materiais que entram em contato com os alimentos, como embalagens e utensílios. Mesmo nesses casos, o material passa por uma rigorosa avaliação para garantir que não haja migração de substâncias nocivas para a comida. O polipropileno, por exemplo, é considerado atóxico para embalagens, mas não para ser ingerido.
Como e onde denunciar
Se você encontrar no comércio ou na internet um produto alimentício que contenha ingredientes não autorizados, como plásticos, a Anvisa orienta a fazer uma denúncia. O caminho é acionar a Vigilância Sanitária da sua cidade ou utilizar os canais de atendimento da própria Anvisa no portal gov.br/anvisa.
Para que a investigação seja eficaz, é importante fornecer o máximo de informações, incluindo:
- Imagem do rótulo completo.
- Marca, denominação do produto e instruções de uso.
- Dados do fabricante ou distribuidor (razão social e CNPJ).
- Lista de ingredientes, lote e data de validade
Alternativas caseiras e seguras
Enquanto a fiscalização atua no mercado formal, alternativas caseiras ganham espaço. O Almanaque SOS demonstrou receitas para produzir “glitter verdadeiramente comestível“, sem plástico. As receitas incluim:
- Com amido de milho: Cria uma mistura que, após seca e triturada, oferece um brilho leve.
- Com gelatina em pó ou folha: São as opções que mais se assemelham ao brilho do glitter plástico. A gelatina em folha, especialmente, foi apontada como a que mais brilha.
- Com açúcar cristal: Uma opção simples, porém com menos brilho.
É importante notar que esses glitters caseiros podem derreter em superfícies úmidas, sendo ideais para uso em bases sólidas, como pasta americana. Confira o vídeo com as receitas:
A Anvisa já emitiu um alerta à Rede de Alerta e Comunicação de Risco de Alimentos (Reali), que reúne os órgãos de vigilância de todo o país, para monitorar e agir sobre o problema. A conscientização do consumidor, no entanto, é o primeiro passo para evitar que plástico continue sendo ingerido disfarçado de diversão.









