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Procon-SP registra quase 1.900 reclamações na Black Friday

Levantamento inédito do órgão mostra que, mesmo desconfiando da veracidade dos descontos, 76% dos compradores já se sentiram enganados. Falhas em entregas e “maquiagem” de preços lideram as queixas.

A Black Friday de 2025 consolida um cenário de contradição no comportamento do consumidor paulista: ele desconfia das promoções, mas segue fortemente influenciado por estratégias de marketing que aceleram a decisão de compra. É o que revelam dados combinados de uma pesquisa inédita e do balanço de reclamações realizadas junto ao Procon-SP, divulgados até esta sexta-feira, 28 de novembro.

De acordo com o último balanço parcial, o órgão já registrou 1.873 reclamações relacionadas à data promocional. Os problemas mais frequentes são os de sempre: “Não entrega/demora na entrega” (32,19% dos atendimentos) e “Pedido cancelado” (14,52%). Empresas como Amazon, Mercado Livre e Magazine Luiza figuram no topo da lista das mais reclamadas.

O consumidor desconfiado que ainda compra

Os números das reclamações ganham profundidade quando cruzados com os resultados de uma pesquisa qualitativa inédita realizada pelo Procon-SP, que ouviu 329 pessoas entre outubro e novembro.

O estudo mostra que o consumidor está crítico – 57,59% acreditam que os descontos nem sempre são reais e 37,93% afirmam que, em geral, não há redução de preço. Apesar disso, os gatilhos de marketing seguem eficazes. Diante de anúncios como “só hoje” ou “últimas unidades”, apenas 5,17% admitem comprar rapidamente por medo de perder a oferta, enquanto 38,3% dizem analisar antes de decidir, mostrando que a semente da urgência é plantada.

Outro dado alarmante: 42,55% dos entrevistados já compraram algo parcelado como “sem juros” e só depois descobriram que a operação não era realmente isenta.

Influência social

A pressão social também é um fator de peso. A pesquisa aponta que 72,03% dos consumidores já compraram algo em promoção influenciados por outras pessoas – seja por amigos, familiares ou influenciadores digitais.

Talvez por isso, mesmo em um ambiente de desconfiança, 52,76% dos entrevistados afirmam que costumam comprar na Black Friday. Desses, um índice expressivo de 76,47% relata já ter se sentido enganado ao menos uma vez, com práticas como preços disfarçados de desconto ou produtos que chegam diferentes do anunciado.

Para onde olha o consumidor?

Na hora da decisão final, os três fatores que mais pesam para o consumidor durante a Black Friday são: o preço final (66,01%), o percentual de desconto (14,38%) e a confiança na loja ou site (11,76%). Para a grande maioria (77,78%), participar do evento é visto, primordialmente, como “uma forma de economizar”.

Teve problemas? Saiba como reclamar

O Procon-SP reforça que os fornecedores são obrigados a cumprir o Código de Defesa do Consumidor, apresentando ofertas claras e evitando práticas abusivas, como o aumento artificial de preços antes da promoção.

Consumidores que enfrentarem problemas com suas compras podem registrar uma reclamação diretamente no site do órgão: www.procon.sp.gov.br. A plataforma Procon-SP Digital possui um canal específico para questões da Black Friday, agilizando a mediação de conflitos.

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