Relatório mostra diferenças expressivas entre farmácias físicas e online na Capital e em cidades do interior e litoral paulista
O Procon-SP divulgou, nesta semana, os resultados de uma ampla pesquisa comparativa de preços de medicamentos realizada entre os dias 26 e 28 de maio de 2025. O levantamento incluiu lojas físicas e sites de farmácias na capital paulista, além de estabelecimentos em cidades do interior e do litoral do estado. Os dados revelam variações significativas — em alguns casos, superiores a 2.000% — nos valores cobrados por medicamentos genéricos e de referência.
A coleta presencial foi feita em dez farmácias da capital, com duas unidades por região (Centro, Norte, Sul, Leste e Oeste), enquanto a pesquisa online considerou nove redes com atuação tanto no ambiente físico quanto digital. Também participaram da pesquisa farmácias das cidades de Bauru, Campinas, Jundiaí, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São Vicente, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba.
Destaques na cidade de São Paulo
A maior discrepância observada na Capital foi no preço do medicamento Tadalafila 5 mg (30 comprimidos, genérico), com uma variação de 2.091,57%: o produto foi encontrado a R$ 4,27 em um estabelecimento e a R$ 93,58 em outro. O mesmo remédio, em sua versão de 20 mg com quatro comprimidos, também apresentou expressiva diferença de 1.551,14% nos canais online.
Entre os medicamentos de referência, a maior variação foi registrada no Dexason (1 mg/g, creme dermatológico 10g), com preços oscilando entre R$ 5,17 e R$ 17,87 — uma diferença de 245,65%.
Diferenças entre lojas físicas e online
O estudo revelou que os genéricos vendidos online são, em média, 13,88% mais baratos do que os encontrados nas lojas físicas. Para os medicamentos de referência, a diferença de preço entre os dois canais foi de 3,73%.
De maneira geral, os medicamentos genéricos custam 64,67% menos que os de referência nas lojas físicas e 67,31% menos nos sites.
Preços subindo acima da inflação
A pesquisa também comparou a evolução dos preços de 23 medicamentos de referência entre 2024 e 2025. O aumento médio foi de 8,63%, superando o IPCA do período, que ficou em 5,8%. Ainda assim, os valores permanecem dentro dos limites determinados pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).
Interior e litoral também apresentam fortes discrepâncias
Nas demais cidades pesquisadas, o cenário se repete. Presidente Prudente registrou a maior variação entre medicamentos genéricos: o Citrato de Sildenafila 50 mg (4 comprimidos) custava R$ 1,99 em uma farmácia e R$ 17,51 em outra — diferença de 779,90%.
Já o maior contraste entre os medicamentos de referência foi encontrado em São José dos Campos: o Albendazol (Zentel) 500 mg, 24 comprimidos, foi encontrado entre R$ 8,20 e R$ 19,80 — uma variação de 141,46%.
Comparativo médio de preços nas cidades
A pesquisa também apontou que os genéricos são significativamente mais econômicos em todas as cidades avaliadas. Confira as diferenças médias de preço entre genéricos e medicamentos de referência:
- Bauru: 59,17% mais baratos
- Campinas: 64,71%
- Jundiaí: 62,62%
- Presidente Prudente: 60,25%
- Ribeirão Preto: 66,19%
- Santos/São Vicente: 65,10%
- São José do Rio Preto: 64,79%
- São José dos Campos: 62,46%
- Sorocaba: 63,19%
A coleta em Jundiaí foi feita com apoio do Procon Municipal da cidade.
Recomendações ao consumidor
O Procon-SP orienta que os consumidores:
- Compare preços entre farmácias físicas e online;
- Verifique se há registro no Ministério da Saúde e validade do produto;
- Cheque se o medicamento pode ser obtido gratuitamente por programas sociais como o Farmácia Popular;
- Esteja atento a convênios, programas de fidelidade e exigência de receitas para medicamentos controlados.
Importante destacar que os preços analisados referem-se ao momento da coleta e podem variar conforme políticas comerciais dos estabelecimentos.
Percepção do consumidor
O Procon-SP também realizou uma sondagem com 1.378 consumidores, revelando que 74,8% desconhecem a regulação de preços pela Anvisa e 86% não sabem como seus dados pessoais são usados pelas farmácias. Além disso, 40,5% afirmam não ter informações suficientes para fazer boas escolhas na compra de medicamentos.
No próximo dia 15 de julho, o órgão irá lançar uma cartilha com mais orientações ao público, visando fortalecer a educação do consumidor no setor farmacêutico.
📎 Para acessar a pesquisa completa e os relatórios regionais, visite o link.









